Tecnologia na saúde e Tabela SUS Paulista mobilizam mais de 1.400 lideranças em Congresso


Reconhecido como um dos principais eventos de saúde do país, Congresso Fehosp, em Campinas, apresentou ferramentas tecnológicas para gestão, além de resultados e esclarecimentos sobre financiamento do setor filantrópico
O impacto da tecnologia na saúde e os avanços da Tabela SUS Paulista estiveram no centro dos debates do 34º Congresso da Fehosp, realizado em Campinas. O evento, organizado pela Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo), reuniu 1.480 representantes do setor filantrópico, de 14 estados brasileiros, para discutir caminhos para a sustentabilidade, inovação e qualificação da assistência das instituições, que são responsáveis por mais de 50% da média complexidade e 70% da alta complexidade do SUS (Sistema Único de Saúde).
Autoridades importantes apresentaram a tecnologia nos mais variados contextos. O ex-secretário estadual de Saúde, Giovanni Guido Cerri, falou sobre as inovações em inteligência artificial ao alcance dos gestores da saúde hospitalar. O presidente da ABRAMGE (Associação Brasileira de Planos de Saúde), Gustavo Ribeiro, trouxe as novas relações entre as operadoras e os hospitais filantrópicos em cenários futuristas. Já o presidente do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Rafael Cervone, abordou a temática “Integrando as inteligências: a visão da indústria neste processo”, e a idealizadora da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, Linamara Battistella, mostrou como a unidade incorporou um modelo de inteligência integrado.
Ferramentas de IA mais promissoras para gestão da saúde; os impactos delas no cuidado ao paciente; as oportunidades de uso da inteligência artificial na prática médica e as contribuições no âmbito da UTI neonatal foram outros pontos destacados nos debates promovidos.
“Falamos de tecnologia, de inteligência artificial, ferramentas digitais que otimizam rotinas, antecipam decisões, cruzam dados e apontam caminhos. Mas não falamos apenas de máquinas. Falamos principalmente das pessoas que conduzem essas tecnologias, porque, no fim das contas, a inteligência que mais importa continua sendo a humana. E é por isso que integrar inteligências é mais do que uma tendência; é uma necessidade para o presente e o futuro da saúde”, disse o diretor-presidente da Fehosp, Edson Rogatti.
Em paralelo, outros temas essenciais para a gestão hospitalar foram focos de Fóruns, como Cadeia de Suprimentos (Compras, Almoxarifado e Farmácia); Comunicação e Captação de Recursos; Controladoria, Finanças, Contabilidade e Custos; Gestão com Pessoas; Governança Clínica, Inovação e Tecnologia; Jurídico; Oncologia; e Qualidade, Segurança e Experiência do Paciente.
“Os fóruns trataram de assuntos que fazem parte do dia a dia da gestão hospitalar e são fundamentais para o fortalecimento das nossas instituições. Ao reunir especialistas e gestores para discutir desafios e soluções, criamos um espaço de aprendizado contínuo, troca de experiências e construção coletiva de caminhos para uma saúde filantrópica mais eficiente e, sobretudo, sustentável, que é o nosso grande desafio”, disse Rogatti.
Tabela SUS Paulista
No Congresso, a Tabela SUS Paulista, em vigor desde 2024, quando passou a oferecer um complemento de até quatro vezes o valor que é repassado pelo Ministério da Saúde por meio da Tabela Nacional do SUS, teve espaço de destaque no evento. A Fehosp desempenhou papel importante na criação, ao intermediar o pleito das instituições junto ao Executivo estadual.
Informações e esclarecimentos sobre a questão foram passados por Renilson Rehem, coordenador do programa de Regionalização da Saúde e consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS); e por João Gabbardo, ex-presidente do CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e ex-secretário executivo do Ministério da Saúde.
No primeiro ano da Tabela SUS Paulista, os hospitais conveniados registraram aumento de até 18% na realização de cirurgias de alta complexidade. Atualmente, 800 instituições são beneficiadas pelo programa.
O aumento das cirurgias de maior complexidade resultou em menor tempo de espera. Na área oncológica, foram 4.450 pacientes a mais que tiveram seu atendimento realizado pelo SUS, um crescimento de 17%, quando comparado ao ano anterior. Na cirurgia de mama, o aumento foi de 18%, sendo 559 mulheres a mais que tiveram sua cirurgia realizada. E no caso das cirurgias cardíacas, o aumento foi de 10%, significando 5.562 cirurgias a mais.
Presente na cerimônia de abertura do Congresso Fehosp, o secretário de Saúde do Estado, Eleuses Paiva, ressaltou que “é com essa responsabilidade, financiando adequadamente, cobrando cada vez mais aumento de oferta, mas com qualidade, que nós avançamos”. “E a filantropia é o grande braço para a gente fazer esse avanço, com a melhoria cada vez maior do setor da saúde”, acrescentou.
O diretor-presidente da Fehosp frisou que a Tabela SUS Paulista foi essencial para a sobrevivência de muitas instituições filantrópicas. “Sem esse complemento do governo de São Paulo, várias Santas Casas e hospitais filantrópicos poderiam ter fechado as portas. Esse modelo tem sido, inclusive, referência nacional. Tenho visitado outros estados e muitos já sinalizam a intenção de seguir esse mesmo caminho para fortalecer o atendimento pelo SUS”, afirmou. “Precisamos de políticas públicas que valorizem quem está na ponta, cuidando da população. O sucesso dessa iniciativa mostra que é possível construir um SUS mais justo, sustentável e com mais qualidade”, concluiu.
Fotos: Eder Mosna
Sobre a Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo)
Há 65 anos, a Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp) trabalha intensamente pela melhoria, profissionalização e modernização da rede hospitalar paulista, buscando excelência no atendimento à saúde da população.
A Federação promove para as entidades beneficentes uma constante busca por recursos, atualização junto aos temas mais pertinentes relacionados à saúde e atuação intensa junto aos governos estadual e federal, agindo sempre em defesa dos interesses da classe hospitalar., sendo a voz das entidades filantrópicas junto aos vários segmentos da sociedade.





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